"Minha Alma"
CORRER O MUNDO
Correr o mundo,
Fugir o quê, porquê?
A procura da felicidade!
Correr o mundo,
Escapar à dor, nada encontrar!
Nenhuma mão estendida!
Amar, dar, confiar,
Desprezo, traição,
Humilhação,
Porquê?
Correr o mundo,
Porquê?
Cansada estou !
II
ESPERANÇA
Esperança, nao te vais!
Na frente, numerosos inimigos,
Quero viver!
Mulher de armas, lutadora,
Solidão, sempre,
Tão pesadas minhas armas.
Esperança, nao te vais!
III
PASCOAS NA MINHA CIDADE
Estas Pascoas regadas
Pelo céu zumbindo de fúria,
Vomitando torrentes de aguas,
Céu de electricidade rasgado,
Céu sem paz e castigador.
Ruas que já não são ruas
Mas lagos e mares.
Cidade que me viu nascer,
Já não és tu mas o inferno.
IV
QUANDO CHEGA A NOITE
Quando chega a noite,
Estou triste de enfado.
A minha alma chora
Sem que nada transpareça.
Forte desta força que me domina
E que eu não entendo.
Forte desta força que ninguém entende.
Forte de ser forte e frágil.
Frágil de ser assim tão forte!
Forte!
Forte de poder dizer não!
Forte de dizer não!
Forte!
Mas quando vem a noite,
Que tudo escurece,
Então choro dentro de mim.
Não posso mais de não poder mais!
Forte, forte, que é?
Forte, até quando?
V
TRÁS OS MONTES
Trás os Montes,
Espera por mim, não te vás.
Trás os Montes,
Em mim estas vincada,
Desconheço-te mas já te amo.
Trás os Montes,
Espera por mim
Não te vás!
Trás os Montes,
Nas minhas veias corre o teu sangue!
As minhas veias do teu sangue incham!
Mas onde estas tu que não te encontro?
Onde então te escondes?
Porquê?
Trás os Montes,
Responde-me, abre-me os teus braços!
Preciso de ti Trás os Montes.
Vem, por ti espero!
A minha ânsia sem medida,
A minha sede em te ver, te conhecer,
A minha alma inteira que por ti grita,
Que o teu nome chama,
A minha ânsia,
A minha esperança,...
Encontrar-te-ei,
Trás os Montes!
VI
AVÓ
Avó, meu querido Avó,
Tantos anos de mim escondido,
Encontrei-te!
Tantos anos, tantas angustias,
Tantas noites sem dormir,
Tantas perguntas, Tantas feridas.
Já não podes fugir!
Já sei por onde ir,
Sei quem sou, sei o caminho.
Agora como avançar.
Avo, meu querido Avo,
Serena me sinto,
Foram-se as dúvidas.
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